BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O processo geral do saber (a educação popular como saber da comunidade). In: --------. Educação popular. São Paulo: Brasiliense, 1997. p. 14-26
Ao notar a historia do surgimento do homem, em sua trajetória ao descer da “árvore”, ficar em pé, desenvolver sua sensibilidade, com um desenvolvimento intelectual, mesmo que precário, ele se constituía como um ser. Com o passar do tempo, a evolução corporal diminui e o cérebro se expande cada vez mais, as gerações seguintes começam a se limitar com a procriação, a vida coletiva se impõe e o conhecimento passa a ser simbólico.
Cada vez mais viviam em grupos estáveis e mais complexos aprendendo a criar a vida simbólica através, a criar trocas entre iguais e não apenas com a natureza, mas com objetos (produção do homem sobre a natureza) com os sinais, símbolos, instituições e com isto um produto sobre si mesmo: a cultura.
Ao iniciar o aprendizado, surgem situações no qual o trabalho e a convivência se transformam em circulação do saber; com isto a transferência do saber necessário para a vida individual e coletiva, o conhecimento técnico de vários meios (rudimentares) de lidar com códigos, regras de conduta que constituem e preservam a ordem do mundo social multiplicando o imaginário do homem. A sobrevivência do mundo social depende de seus sujeitos saber como lidar com essa circulação de novos aprendizados. Este aprendizado era transpassado de geração para geração, e o ritual marca esta transferência na qual podemos dizer que foi uma forma de educação popular. ).Na aldeia e cidade são os lugares onde o ensino vira educação
Divisão social do saber
Não é possível pontuar na historia quando o saber se tornou parte integrante dos sistemas de educação; mas pode-se dizer que os primeiros detentores do “saber” eram mestres de ofícios, confrarias, depois artistas, artesão e profissionais derivados, agentes de culto, cura, onde poucas pessoas tinham o domínio. Criam - se aldeias (10.000 e 15.000) anos atrás, domesticação de grãos e seres silvestres, surgimento de agricultores.Com o aparecimento do trigo, arroz, milho, eles passaram a ser usados como produto de troca por outros alimento, bens, onde passando de um efêmero bem de uso( a comida) para uma mercadoria como um meio de acumulação , riqueza e poder; como conseqüência, criação de tribos maiores, ocupando toda a terra, multiplicando-se , criando sociedades estáveis transformando –se em cidades.(com um longo período histórico.A necessidade de extensão de poder, obrigou a cidade a multiplicar ofícios e profissionais separados; de um lado puro exercício do trabalho e do outro e do outro trabalho produtivo e a isto chamamos de civilização ; um produto do trigo, do arroz e do milho que criou a escola no qual os primeiros a receber este saber eram sacerdotes, escribas e legisladores ; separando-se de outras práticas sociais para tornar-se educação. A educação popular (como saber da comunidade) torna-se fração do saber daqueles que presos ao trabalho existem a margem do poder e dedicam este saber que produzem a consagração da própria desigualdade. O que chamamos de educação foi surgindo a través de trocas de “saberes” através de especialistas em ensinar; assim a educação como pratica e a escola como o espaço físico para representam o avanço do saber comunitário para o saber necessário tornado o saber erudito como forma legitima de conhecimento associado a “ diferentes instâncias de poder” enquanto o ‘outro”, popular ficou separado do poder.
O saber da comunidade assim é fracionado ( classes, grupos, povos, tribos).As formas imersas ou não em suas práticas sociais- através dos quais o saber, das classes populares ou comunidades, sem classes transferido entre grupos ou pessoas, são a educação popular.

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