Martins, Carlos Benedito, 1948. O que é Sociologia. São Paulo: Brasiliense, 2006
Introdução
A sociologia é vista por alguns como arma dos interesses dominantes e para outros como expressão dos movimentos revolucionários; ela expressa um conjunto de conceitos, de técnicas e métodos de investigação produzido para explicar a vida social, no contexto histórico que possibilitou o seu surgimento, formação e desenvolvimento. Esta ciência é o resultado da compreensão das situações sociais novas nascentes da sociedade capitalista.
O surgimento
A Sociologia surge com a decadência da sociedade feudal; o surgimento do capitalismo e a partir de vários pensadores que tentam compreender as novas situações de existência que estavam em curso. No século XVIII, os marcos foram Revolução Francesa e Industrial.
Entre 1780 e 1860 a Inglaterra passou por várias transformações; por ser rural passa a comportar enormes cidades, a crescente urbanização, destruição da servidão, desmantelamento da família, a atividade artesanal em manufatura fabril desencadeou um emigração do campo para a cidade; mulheres e crianças em jornada de trabalho de doze horas ou mais sem benefícios. Com isto aumenta a prostituição, suicídio, alcoolismo, infanticídio, criminalidade, violência, surtos de epidemias. Um dos marcos foi o surgimento do proletariado, trabalhadores negando suas condições de vida, atos de sabotagem e explosão de algumas oficinas, criação de associações livres. Com estas profundas transformações, colocava a sociedade em um plano de análise passando a constituir em problema, em objeto a ser investigado. Os homens desta época eram voltados para a aça, participando dos debates ideológicos das correntes liberais conservadoras e socialistas, extraindo orientações para manter, modificar, de formar a sociedade e tal fato significa que os precursores da sociologia eram militares políticos.
Alguns pensadores como Owen William Thompson, Jeremy Bentham; discordavam entre si ao julgarem as condições de vida provocadas pela Revolução Industrial, mas eles concordavam que ela produzira um fenômeno inteiramente novo que merecia ser analisado e o que eles refletiram e escreveram foi fundamental para a formação e constituição de saber sobre a sociedade. O surgimento da Sociologia prende-se aos abalos provocados pela Revolução Industrial, pelas novas condições de existência por ela criadas.
Mas outras circunstâncias como a forma de pensamento contribuíram para sua formação, pois a partir disto, o pensamento renuncia a visão sobrenatural para explicar os fatos e substituir por uma racional. O emprego sistemático da observação e da experimentação como fonte para a exploração dos fenômenos da natureza estava possibilitando aos homens um conhecimento da natureza que lhes abria possibilidade de controlá-la e dominar. A teologia deixaria de ser norteador do conhecimento (Francis Bacon). Os pensadores da época eram grupos de filósofos que procuravam transformar a sociedade, eram ideólogos da burguesia que atacavam a sociedade feudal, procurando construir um Estado que assegurasse sua autonomia em face da Igreja e que protegesse e incentivasse a empresa capitalista.
Os primeiros sociólogos irão revalorizar determinadas instituições como autoridade, família, hierarquia social, destacando sua importância teórica para o estudo da sociedade e segundo a citação de Comte, o termo física social expressa o desejo de construí-la a partir dos modelos das ciências físico-naturais. A oficialização da sociologia foi, portanto em larga medida d uma criação do positivismo, separado da filosofia negativa, da economia política e uma vez assim constituído procurava realizar a legitimização do novo regime. Ela procura criar um objeto autônomo, o “social”, postulando uma independência dos fenômenos sociais em face dos econômicos. Envolvendo-se desde eu inicio nos debates entre as classes sociais, nas disputas e nos antagonismos que ocorriam no interior da sociedade, a sociologia sempre foi algo mais do que mera tentativa de reflexão sobre a moderna sociedade. Suas explicações sempre contiveram intenções práticas, para manter e alterar os fundamentos da sociedade que a impulsionaram e tornaram na possível.

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